segunda-feira, 4 de novembro de 2013


Pude sentir a tormenta.

Eu pedi tanto que me deixasse respirar sua verdade,

que ela veio forte contra os meus olhos.

Ela encharcou meu sonho.

Era o que eu precisava.

Ter a dor que não era minha.

Mas que poderia ser.

Que ainda pode.

 

Mas o céu está tão azul...

 

Os sofrimentos vieram depois

Depois que passei a ter medo de ser eu mesma.

Depois do dia em que me disseram sem saber:

“Eu já ouvi isto antes.”

Há sempre mais de mil verdades a serem respiradas.

Bateram uma chapa do meu tórax e não acharam manchas no pulmão.

Soprei as verdades que sei.

Não queria morrer sufocada.

 

Mas espero pelo cinza de olhos abertos...
 
 
 
 
Leticia Frederico

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