quarta-feira, 30 de abril de 2014

No frio é melhor não escrever
deixa o ar assim sombrio
o que quiser dizer que o diga
foram tantas notas
não me acorde, é tarde
as letras nesse ar mesquinhas
me esquivam da escrivaninha
não há mais caneta
Que eu não tenha pena!
quem comeu minhas ideias
sopre o papel.
Que ninguém se meta
com as coisas velhas
que mastigam veias
sem lhes ser cruel
que o dia seja
mais quente que a noite
que a noite durma
sem acordar o choro
derramado pelo
levantar do véu

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Jamais ouvirei dizer
novamente
sobre a minha inocência
eu aprendi a pensar no pior dos
outros
quem foi que ensinou...?
o pior não existia na ingênua idade
talvez o tenha descoberto tarde
logo, nunca mais ouvirei falar
sobre minha descência.

Resta dar glória aos falidos
às desmerecidas
glória aos que perderam a ingenuidade
e que o tempo torne a nós cada vez mais fodidas
e às cordas vocais dilaceradas
gritar sempre versos mais malditos.


 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Quantos sonhos morreram de preguiça

 acordei sem sono esta manhã

 um enjoo só

 um sol, morto iluminando o dia

quanto amor

 morrerá afogado na piscina

 todo desforme

 uma fôrma em sol lá si bemol

 um ponto e o centro do mundo

 cheio de linguas enormes

 carentes de tempo presente

 cama e colchão sem lençol.


quinta-feira, 3 de abril de 2014

Mais uma vez
desobedecerei
a ordem
desobrigo-me a acata-la
em nome de uma outra lei
Lei esta, desorientada e nobre
que não se rompe
nem com o silêncio
nem pela ameaça
da mão armada
nem por toda esta estupidez
 
Vi que não os convenci
vejo que não convencerei
ainda não enlouqueci
mas sei que confundi vocês
 
Destroços
sinto a lâmina fatiar meus ossos
pressinto o falso lamentar burguês
na cova posso
não bradar aos povos
mas em meus semelhantes novos
revivo outra vez.
 
Era pra ser um verso de amor
mas no lamento da dor
lembrei de um primeiro de abril
em que minha boca se fechou
virou então um poema
sobre a insensatez