Vivo num país onde as ilusões não se perdem
Na verdade as ilusões no meu país não nascem
são ilusões anuladas.
Não é como no livro do Balzac, (Quem não leu, leia “As Ilusões Perdidas”, pois o livro tem algo a mais, essencial para todas as épocas e sociedades, não se resumindo sua história à frase a seguir) onde Luciano tinha um grande sonho de tornar-se um escritor famoso e tem suas ilusões perdidas pelo caminho da vida.
No meu país não existem ilusões perdidas
Aqui no meu país, as ilusões não tem chances de serem construídas
O que torna aos meus olhos, meu grande país um pobre país grande.
E o que torna isso tão negativo é o seguinte:
Simplesmente o fato de que, na busca de nossas ilusões
grandes obras, grandes descobertas, livros incríveis
histórias notáveis , personagens inimagináveis são criados.
Quando sonhamos e acreditamos em nossas, mesmo que pequenas, ilusões
tornamo-nos heróis, mesmo que heróis póstumos.
Mesmo que heróis para nossos filhos, alunos, amigos, ou mesmo heróis para um desconhecido.
Porém no meu país,
por vivermos sem a possibilidade de ter ilusões,
ao termos que conviver desde a infância, com a ideia imposta de que nada que façamos adiantará, nada que façamos será reconhecido nem hoje e nem nunca,
a ideia da realidade que nossas crianças vivem
mortas de fome e saber
mortas de sede e por que
mortas de frio e querer
que faz com que vivam sem possuir um fio de ilusão...
matem pelo pão, pelo pó, pela pedra e pelo perdão.
Mergulhamos em um enorme vazio.
Nadamos em um oceano de solidões
Corremos numa floresta de incertezas
E chegamos a algo parecido com o nada.
Chegamos às 08:00 e saímos às 18:00h
Sem saber de nada.
E assim, o que sobra aos meus olhos para enxergar sobre o meu país
é que paradoxalmente ele tem um povo sem ilusões perdidas,
completamente iludido.
Leticia Frederico