segunda-feira, 30 de junho de 2014

Fomos prêmios?
Sim.
Mas fomos mais presente.
Fomos verdade,
ainda que diferente,
desde o princípio
e não, não fomos saudade...
Fomos todos os dias
e somos ainda
por estes, de algum suplício
Seremos ainda verdade?
À nossa!
De certo seremos coragem
pela estreita porta
do próximo presente
que seremos sempre.
Pra nós
Não seremos memória
Não seremos história
muito menos, dias de glória
pois seremos presente, simplesmente,
como fomos em passados,
como somos...
solitários
mãos que estendem
têm forças
que nem sempre entendem
Pra outros não seremos nada
talvez história
talvez memória
talvez vidas, sem nenhuma glória... mas o que importa
pra nós
é que isso realmente
Não importa.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Adeus orgulho
adeus
despeço-me sem saudade
adeus
o pouco que ainda aqui morava
há muito tempo que já se perdeu
oh Deus
não fará falta sua presença elegante
que aos outros ainda desperta o semblante
mas não mais o meu
Sei que não queres partir
pois dói
mas entenda que é como parir
não destrói
é a vida de dentro
nascendo pra fora
cicatrizando
de fora pra dentro
por isso digo adeus
de fora pra dentro
ao meu orgulho
que se vai rasgando
aqui costuro os pontos
e de fora pra dentro
os órgãos vão tomando
seus lugares devidos
até que o coração
não mais esteja esmagado
e possa ser melhor ouvido.

domingo, 22 de junho de 2014

eu
e meus crimes contra a humanidade
eu
e o abandono dos lares
eu
e o assassinato do indigente
eu
e o documento falsificado
eu
e minha pedra rolando morro abaixo
eu
e a verdade
que nem eu teria escutado
eu
e o coração partido de toda gente inclusive,
do eu.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

antibiótica vida
prevê a célula destruída
sob a ótica espremida
da carne em carne viva
antimetódica alma
supõe a nítida calma
sob a miragem mais alta
do som mais seco da palma
machucado mordido
mastigado moído
esfrega água sabão
e a casca coça
e a marca vira só mancha
e a pele de novo branca
pronta pra outro arranhão
se não houvesse nova rima
sempre uma outra saída
talvez eu perdesse a fé
na imutável utopia
de cada um ser só quem é
sem sentir tanta agonia
sem tanto peso no pé
só indo e indo e indo

sexta-feira, 13 de junho de 2014

corra sobre as pétalas da árvore
sobre as folhas da flor
sobre o néctar dos pássaros
sobre a sombra do sol
discorra sob a lembrança do sono sob a coberta dos ares
sob a embriaguez dos bares
sob o som dos fios de cobre
ande pela mudez dos passos
pela timidez dos compassos
pela pauta das máquinas
pela escuridão da lua iluminada desande pelo oposto do caminho pelo trilho das minas
pelo barulho da corda
pelo desembarque das pernas atadas

segunda-feira, 9 de junho de 2014

nenhum incômodo
de modo algum
respiro eu dessa palavra linda
só larvas aspiro
talvez um riso
no rosto liso, palidez
na cabeça, onde o nada existe
triste seria ter dele certeza
na doença, onde o resto finda
finca a crença
instinto de sobrevivência ainda
qualquer uma
uma qualquer
qual faz mal ?
traz qual paz?
o egoísmo ou a fé?