domingo, 27 de julho de 2014

a cada nota
um poema
a cada falta
um dilema
a cada encontro
uma cena
a cada adeus
uma pena
a cada volta
uma reviravolta
uma canção se solta
e a vida fica plena
a cada medo
uma vontade queima
a cada segredo
uma verdade teima
a cada dia
uma preguiça de acordar cedo
me levanta após o meio dia
que a vida vadia
não é tão vazia
e como o poeta,
há muito já sabia,
dura até mais tarde
e não é pequena.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Vimos coisas belas
aves cheias de cores
tiram a atenção das flores
colam-se na fotografia
Entre frutas fora da janela
pela água doce
beijam plástico colorido
mas o meu olhar vai distraído
perto de um passarinho verde, escondido
que pousa no galho da árvore
mas não mora nela
Subimos pedras frias
folhas molhadas
escorregadias
só pra ver a água que caía
sem parar
meu ouvido ouve
seu cantar
o tato sente queimar
nem a lareira ardente
pode aliviar
a imaginação urgente
de quem vive a sonhar
lhe arrepia
quem morre
de quem sacode
quem quebra forte
como onda no mar
leve,
o vento lhe dizia.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

os amigos vêm de onde, menina?
vêm de dentro da gente
e saem dançando bêbados
queremos sê-los
quando choram dores
e também amores
quando correm sem sentido
abrimos nossos ouvidos
queremos diverti-los
e dar qualquer abrigo
seja dentro do peito
ou em nosso próprio leito
fazer com que gargalhem
de si ou de nós
ou ainda mais dos outros
que corram do abismo
virem-lhe o rosto
e lembrem que a vida pode ter sempre um maravilhoso gosto
vindo da próxima esquina

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Não meus amigos,
eu não vou falar sobre cocaína.
a droga q escrevo
destrói meu povo
de um jeito que ele nem imagina.
Aperta, bem lá no fundo do peito
e a dor logo nos incrimina.
Estampada no sorriso mais caro daquela menina muito bem vestida.
Não adianta tentar calar sua voz, porque dentro de nós
ela vem como pedra de gelo, endurece o resto de força que resta e te mata de medo...
Eu vejo de longe
aquele menor correndo
e não enxergo pra onde
Onde é que verdade te esconde?
Dizem que os meninos da rua suja não tem esperança
Quem vai pensar numa herança?
Quem liga para aquela criança?
Sabem de tudo,
não contam com nada
e o pé tá ralado
limpando o chão da cidade rasgada em mil pedaços
caindo no esgoto
vejo seu rosto
lembro do vício desgraçado
ah, desde o início
eu sabia que o mundo
não obedece princípios
só valores
ouvia de longe
o som dos comícios
e ninguém,
ninguém viu meus amores escorrendo daquela gente suada que foi chicoteada
bateu o tambor
e seguiu pela estrada
você,
trate de ir se defendendo
que ninguém está te compreendendo
veja aquele filme
o final feliz do bom moço
os livros continuam fedendo a mofo
a intoxicação
feita sem muito esforço
sinta as paredes cedendo
estão cedendo por dentro
e o dinheiro acabando
meu corpo vai se encostando naquela estante
vou encontrar meu remédio faltante
desligo a tela colorida
pra sobreviver nesse mundo
me reabilito o quanto antes.
Não, eu não vou falar da heroína
eu vou falar da substância pesada que corre dentro da sua inconsciência tapada
sim, acho que ela não foi descoberta pela biológica ciência inexata.
Te faz errar e acertar.
Acerta um tiro na cara de um semelhante qualquer,
erra uma bomba em cima de uma família que nem mesmo sabe o que quer,
deixa vender uma ilha pelo valor mais alto que puder .
Eles ali?
Eles vao comprar um peixe
e matar um porco no natal,
fazer uma salada pros vegetarianos não se sentirem muito mal,
mas o que importa é o presente.
Na rua ferve uma panela de sopa bem quente
e quem não tem família,
por favor, entre na fila com a gente.
O mundo tem jeito
mas esse vício
me mata todo dia com seu conceito
Agora eu escrevo
depois eu canto
você que me ouve
parado ou dançando,
o que nos aproxima
não é nenhum imã ,
nenhuma rima.
É que a sinceridade,
a sua, a minha e a da tal menina,
ainda que dependente
desse mal que destrói nossa mente, merece respeito
quando predomina.

sábado, 5 de julho de 2014

Um quarto pra deitar
esquecer do dia
esticar
sem bater os pés na parede fria
o barulho ao lado
quanta agonia
dormir
enterrar o rosto no travesseiro
e sentir do mofo, o cheiro
dos ratos, inalar os pêlos
encontrar um canto
pra fritar um ovo
e o estômago ruir
num prato fundo
cheio de passado
ainda existir
entre cabeças
que rolam pelo meio fio
se confundir
quem tem moradia
pare de reclamar
quem não tem,
trate de arranjar
mas se ele não conseguir
na rua é que não vai ficar
no lixo é que não vai dormir
isso é só pra quem entender
do que se trata o amar
então parem de o saco encher
e bem vindos sejam
ao meu doce lar

quarta-feira, 2 de julho de 2014

É preciso fazer esforço
diante do espelho
sacudir o rosto
dentro do olho
ver além do aço
não deixar vencer o cansaço
permitir o sonho ganhar do sono
e acordar.
O amor, à porta, não baterá.
A vida é mesmo
e sempre será torta.
corra
ainda que o tempo escorra
cate
até que o nó desate
o amor não vai nem volta tarde
só insiste
dentro do peito
o amor arde
A sós, desiste
fora do peito
nem existe.