quarta-feira, 31 de julho de 2013

Chão colorido

Disse que me disse

que me disse,

quanta lamentação...

Muitas palavras precisam ser escritas,

repetidas...

Pra tanta monotonia

estupidez é a palavra que dá cria.

Com colher cava,

vê se ela entorta

como entortou seus olhos

minha caligrafia


Força mais o passo,

está tão longe seu perdão escasso.

Não perturbe este pobre sujeito

ele apertou um laço dentro do seu peito.

Nem rima mais direito

mas voa e voa e voa

e disse que eu medisse os fatos,

guardasse os retratos

e lavasse os pratos

e me portasse de maneira boa,

muito muito boa.


Mas o que se disse

é assim só um dizer

todo mundo sabe,

é só pra constar,

é só um interceder

cava então com as mãos, vê se elas sangrarão

como pingos finos colorindo o chão...

e quem sabe o mundo nem vai perceber...
 
 





Leticia Frederico




amor

"... Mas te espero
porque o grito dos teus olhos
é mais
longo que o braço da floresta
e aparece atrás
dos montes, dos ventos
e dos edifícios
e o brilho do teu riso
é mais
quente que o sol do meio-dia..."           Tom Zé

terça-feira, 30 de julho de 2013

stranger



http://letras.mus.br/the-cure/9310/

Sobre "O estrangeiro" de Albert Camus humildemente escrevo esperando não que me leiam e sim que leiam o livro.

Estranho

Estranho mundo sempre igual
estranho sol que cegou meus olhos
estranho como não tenho palavras
estranho como não me dão ouvidos
estranho como sabem tanto
estranho como não me interesso por isso
estranho como vão embora sorrindo
estranho como choram por tão pouco
estranho como não tinha percebido
estranho como o dia está quente
estranho como cada um sabe o que sente
estranho como quero ser livre
estranho como estou preso
estranho como sabem o que é certo
estranho como fazem justiça
estranho como o amor não existe
estranho como tem piedade
estranho como se livram de um peso
estranho como faz falta o mar
estranho como tentam convencer
estranho como tentam explicar
estranho como não me importo com isso
estranho como tenho medo
estranho como eles tem mentido
estranho como a lei dos homens
estranho como Deus tem agido
estranho como não se pode parar de pensar
estranho como minha mente esvazia
estranho como vendem desgraças
estranho como as esqueço tão rápido
estranho como a morte é menos estranha que a vida.



Leticia Frederico


segunda-feira, 29 de julho de 2013

Copo d'água

Mais ar!
Mais ar! 
Dentro dessa fumaça toda, minha neblina.

Desça mais!
Desça mais!
Ao fim desse poço seco, minha névoa.

Águe mais! 
Águe mais! 
Desse gosto sempiterno veneno, minha toxina.

Meu rim já começou a doer.
Antigo punhal da matina

Mais água!
Mais água!
areia cálculo renal.

Polido valioso
seu discurso taciturno
Me alcança, alcança!
À distância 
nessa espera factual, surdina.




Leticia Frederico

sábado, 27 de julho de 2013

As letras não se unem
Não formarei uma palavra.
Portanto nenhuma frase, nenhum texto,
Nada.
Informo para os devidos fins que meus versos voaram.
Flutuam em outro país provavelmente
Em outra cidade
E seu estado é grave.




Leticia Frederico

quarta-feira, 24 de julho de 2013

constantemente

Lábil como as certezas 
é a vida.
Escorregadia
dia à dia.

Num instante vai.
Inalienável
mesmo que passível,
descompassada
e incompreensível.

o que sobra em nós
desdobra-se 
mói
dilacera
e  dói.

e como em nosso inopino choque
transmuta
decrépita
afaga
acalma 
ama
beija
e morre.

Leticia Frederico.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Velho-Menina


É

Olhares são tão ambíguos quanto palavras.

Só os sonhos são reais.

De noite sonhei com um leão matando um crocodilo.

Meu leão foi descansar depois disso.

Tive receio ao vê-lo dormindo no mesmo quarto que meu filho.

Em vão, pois se este animal representa a coragem,

 então a coragem o acompanhava. 

De manhã falei com ele ao telefone

Ele disse que sonhou comigo e tem saudade...

No fim do sonho li um nome num papel

Os olhares dizem muito e nada dizem

Só nossos sonhos representam a realidade

embora esta nos pareça tão cruel.



Leticia Frederico

segunda-feira, 22 de julho de 2013


sem ar

Há uma privação que não cessa.
Mesmo que enfies os dois punhos 
contra a parede,
não passa.

Engane os próprios sentidos,
tente possuir tuas vontades,
te julgues livre 
como se isto fosse simples
e será em vão.

Subsiste um vazio dentro de ti.
Intocável e indizível,
acobertado,
mas para ti irreprimível.
sem espaço para ocupação.

Por isso adornas tuas horas com presenças
classificadas como indispensáveis,
e testemunhas o triunfar do medo, 
do terror que impede
que espalhes o vazio sufocado 
mesmo que seja sobre mim.

Não há nada mais inteiro que este vazio.

Ele está te afundando. 
Veja como mais para dentro olhas,
note como teus defeitos afloram para ti,
Parece o fim.
Repare como tua vista ofuscou
e como imaginas agora
que não te importas mais 
com o que passou.


Ainda assim peço-te um favor.
Faço um convite 
em forma de clamor:
Venha para fora 
despedace tuas pétalas no jardim.



Leticia Frederico





 .









sexta-feira, 19 de julho de 2013

Pelos desentendimentos


só isso

A solidão sentou-se ao meu lado esta manhã
pediu que eu abrisse com mais força os olhos,
levantasse prontamente e a acompanhasse já que tinha pressa.
Como normalmente faço, obedeci.
Não, eu não poderia ignorá-la sabendo que ela nunca me negaria um pedido como esse.
Ontem à noite mesmo ela estava um pouco cansada,
realmente farta com minha presença...
Aos berros ordenou que eu a deixasse, procurasse outras coisas,
mas eu tenho tanto apreço por ela...
Creio que eu jamais a abandonaria,
além do que, eu já sabia que de manhã ela estaria de volta
mesmo que eu a expulsasse com a roupa do corpo durante a madrugada.

Neste ponto já não sei se eu que não a deixo
ou se é ela que me persegue
acho que as duas coisas.

Não posso deixá-la partir... meu apego não permite...
pode ser que isso pareça triste

De triste não vejo nada...
o certo é que não vejo nada nem de triste nem de contente...

vejo apenas que ela me leva
ela me segue
convivemos
mesmo existindo tanta gente...


Leticia Frederico



quinta-feira, 18 de julho de 2013

Problemas mentais???


https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja&ved=0CC4QFjAA&url=http%3A%2F%2Fcanna-club.blogspot.com.br%2F&ei=xhHoUbXVFISE9gSqlYDgAQ&usg=AFQjCNG3kFWQe8eixs2VDAySvoF7N7-b2A&sig2=oH1YgohcKdG1NbucR2VKEA&bvm=bv.49478099,d.eWU

Mal Secreto


quarta-feira, 17 de julho de 2013

Não há razão

Por qual razão guardamos nossos pensamentos?
antes nas gavetas, hoje nos rascunhos das caixas de email...
A verdade é que a maioria das pessoas não se importam realmente com 
nossos pensamentos.
Então que não sejam escondidos, guardados, esquecidos...
Nossas gavetas hoje invisíveis
perdem-se tão rápido...
Antes, se perdêssemos as chaves arrombávamos a gaveta e pronto
hoje quando esquecemos nossas senhas na imensidão de senhas e mais senhas
que flutuam em nossas cabeças perdemos nossos pensamentos escondidos nas gavetas invisíveis.
Pois bem, se ninguém se importa com nossos pensamentos então pra que mostrá-los?
Também é uma pergunta pertinente...
Para o caso de alguém, não se importar... mas sim, talvez se inspirar.
Se inspirar é uma necessidade 
viciosa
física ou psicológica
que faz brotar...
Cada qual se inspira com o que lhe convém.
Eu me inspiro com alguns pensamentos guardados!
Eu respiro a poeira das gavetas trancadas.




Leticia Frederico



segunda-feira, 15 de julho de 2013

Para ler se preciso for.


Escrevo apenas para dizer sobre o que pensei ontem à noite:

Quando voltar de onde estou, 
espero que as coisas estejam bem claras.
Espero que no verão o calor por aí não esteja mais tão denso,
e que o frio não seja tão cortante.
Seria bom uma temperatura amena.
Por aqui tudo vai como planejei,
pelo menos o pouco que me recordo,
mas sinto que tudo vai bem, realmente.
Sinto saudades daí. 
Principalmente de quando ficávamos apenas pensando 
por muito tempo. 
Quando pensamos sobre
como faremos o que precisamos fazer.
O esforço necessário aqui, cansa-me muito por fora.
Talvez um pouco por dentro, mas mais por fora.
O trabalho aqui é duro. Acredito que compreendo algumas vezes o motivo disso.
Mas às vezes penso que haja uma falta de percepção muito grande por aqui.
E então percebo que é preciso justamente compreender isso também.
Por hora creio que demorarei um pouco ainda para voltar.
Acredito que isso se deva ao meu presente.
Antes de ganhá-lo o passado me era muito mais presente. 
O futuro me era um pouco intuitivo. Na realidade bastante.
Mas depois que o presente chegou, os dois fugiram um pouco à minha visão.
Meu presente me despertou, acredito.
Antes de sua chegada me pegava tentando voltar, sem nem perceber.
Agora é raro que eu tente voltar.
Porém creio estar pronta quando tiver de ir.
Enquanto meu presente precisar de mim,
enquanto o presente de meu presente for apenas futuro, continuarei aqui.
E quando voltar, que eu possa esperar por todos 
e sempre que possível vir visitá-los se puder ser útil.

Até logo.



Leticia Frederico


sexta-feira, 12 de julho de 2013

Vamos fazer por nós,
uma cena sem cortes.
Faço por nós
na cama.
Fiz por nós.
Faça você por nós.
Quantas cenas? 
Quantas camas 
faremos por nós?
uma, duas?
Das duas uma.
Todas 
sem cortes,
cortadas,
costuradas.
Sem costumes.
Sem cama. 
Sem corte,
no chão.
Vamos fazer por nós.
Sem ver, ter
sem tocar.
Ouvir
Por nós
Ver, ter, tocar
para nós.
Sem corte,
com dor,
com sorte,
sem cor,
sem luz,
com som,
para mim, ti, nós
por mentir
por cima
por ontem 
pelo nosso dia
pelos outros dias
por esse
por aquele,
pela pele
pelos olhos 
pelos filmes
pelas horas
pelas letras
pelas vozes.
Vamos fazer por nós.




Leticia Frederico

sem título nem visualização...

Silenciamos,
sumimos,
escondemo-nos.
De quê?
De quem?
Apagamos qualquer coisa lúdica,
fugimos, 
desaparecemos.
Por quê?
Por quem?
Talvez assoviemos sim. 
Mas é só ar.
A melodia findou,
evaporou.
Será que existe melodia a evaporar?





Leticia Frederico

terça-feira, 9 de julho de 2013

Para que olharmos para o sol,
quando o que nos chama
é onde a escuridão faz moradia?
Logo ali existira um labirinto.
possuíamos uma vela acesa e esta se apagara passos adiante.
Atrás daquela parede fina houvera uma trilha sem mapa
e as folhas escuras cobriam o teto pintado pela luz.
Onde deixamos nossos mapas?
Onde guardei meu recado?
Quando me dei conta de que a sola de meus sapatos
carregam a morte enquanto caminho?
Quando nos damos conta de que há sempre uma sola
acima de nossas cabeças?

Onde estão os que me compreendem?
Por qual motivo não os ouço?
Não sabem de mim.
Me observariam de perto se possível fosse.
Diriam que me compreendem absolutamente.
Ou diriam:
“Tudo que pensas não passa de sobra de tempo ou falta de agradecimento.”
responderia-os que
o que penso é fruto da inteligência
que logo será carregada pela sola acima de minha cabeça,
e que portanto continuarei pensando.
Pergunto, pergunto.
Mas em verdade, não me importo muito.





Leticia Frederico

segunda-feira, 8 de julho de 2013

solta

sem notícias.
solta na maré.
corre entre meus calcanhares
na leve correnteza
a água clara
transparentemente fria.

ao longe
quase invisível, bóia
uma pequena garrafa de poesia.
seca de saudade 
de navios que não aportaram.
naufragados
escorregadios
sem tesouros descobertos
distantes e desertos.

apenas uma linha 
corta meu céu. 
ela o separa do mar,
que não tem espuma
só areia
tem meus pés 
procurando a areia.

meus cabelos secos
estão presos
como aquele papel
que espera ser alcançado.
mas meus cabelos ainda podem sentir o vento.

minha pele ainda pode sentir o vento
mas não sabe pra que lado ele vai
pois não ha vento
e a garrafa me parece uma miragem.

Existe?
por um momento creio que não
até que outra onda
a levanta e mostra-me que ainda bóia.
ela não voa,
não possui ainda asas.
não tem voz.
também não aprendeu a nadar.

a poesia
continua intacta 
seca, exposta ao sol
sob o céu sem nuvem
sem chuva nem brisa
sem suor,
muito menos tempestade
e meus pés não podem contra a correnteza 
que nos carrega.

espero então que o tempo vire.
talvez um redemoinho, 
talvez alcançaremos a espuma.
soltarei o cabelo e aqueles versos enfim 
desfolharão ilesos
tocando meus dedos.

se possível, sem cacos de vidro.





Leticia Frederico

sábado, 6 de julho de 2013

desconhecidas

Vamos rodar rodar rodar...
o céu poderia se espatifar aos nossos pés
se rodássemos e nos embaralhássemos 
em nossas próprias pernas.
Afundaríamos nossas incrédulas
paixões na terra
e dançaríamos dentro dela.
Dentro de nós o som fincaria crucifixos. 
Sinos simulando
nossa entrada no paraíso.
Congelaríamos nossos desprendidos corações 
a sós.
Esmagando-os contra páginas mofadas
dos nossos infinitos livros 
contra as notas cansadas
das nossas infinitas canções desconhecidas.





Leticia Frederico

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Enquanto sonhamos...


Quem se acostumou com a tristeza, não tolera conviver com a alegria.

Isto é imperativo e afirmativo para vós.

Transbordai egos medíocres pelos corredores desse lixo.

Fazei murchar cada pétala das mais belas flores.

Esta é a ordem de todos os dias.

Impregnai o ar com o aroma triste de vossos pensamentos.

Que jorram pela saliva enquanto entoais vozes forçadas e dizeis sempre sim.

A ordem dos vossos dias é sempre assim.

Fazer sofrer a quem quer que seja dissimuladamente.

Inconscientemente.

Com vossas próprias mãos ou não.

Sem remorso aparente.

Isto é também imperativo e afirmativo para tu.

Crê que faze o melhor, possivelmente.

O melhor pela ordem e pelo desenvolvimento das atividades da tua empresa.

Só não esqueça nunca que esta empresa não é tua

Nunca será tua

Jamais terás um átomo de nenhuma parte, nem do pó que respiras pela tua empresa.

Perceba que dela és presa.

Que nela estás presa.

Sem carta de alforria e sem folga nenhum dia.

De forma definitiva e crua.

E que no fim, a culpa disso tudo é apenas tua.






Leticia Frederico