segunda-feira, 29 de julho de 2013

Copo d'água

Mais ar!
Mais ar! 
Dentro dessa fumaça toda, minha neblina.

Desça mais!
Desça mais!
Ao fim desse poço seco, minha névoa.

Águe mais! 
Águe mais! 
Desse gosto sempiterno veneno, minha toxina.

Meu rim já começou a doer.
Antigo punhal da matina

Mais água!
Mais água!
areia cálculo renal.

Polido valioso
seu discurso taciturno
Me alcança, alcança!
À distância 
nessa espera factual, surdina.




Leticia Frederico

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