segunda-feira, 22 de julho de 2013

sem ar

Há uma privação que não cessa.
Mesmo que enfies os dois punhos 
contra a parede,
não passa.

Engane os próprios sentidos,
tente possuir tuas vontades,
te julgues livre 
como se isto fosse simples
e será em vão.

Subsiste um vazio dentro de ti.
Intocável e indizível,
acobertado,
mas para ti irreprimível.
sem espaço para ocupação.

Por isso adornas tuas horas com presenças
classificadas como indispensáveis,
e testemunhas o triunfar do medo, 
do terror que impede
que espalhes o vazio sufocado 
mesmo que seja sobre mim.

Não há nada mais inteiro que este vazio.

Ele está te afundando. 
Veja como mais para dentro olhas,
note como teus defeitos afloram para ti,
Parece o fim.
Repare como tua vista ofuscou
e como imaginas agora
que não te importas mais 
com o que passou.


Ainda assim peço-te um favor.
Faço um convite 
em forma de clamor:
Venha para fora 
despedace tuas pétalas no jardim.



Leticia Frederico





 .








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