sábado, 30 de novembro de 2013

O que acontece é 
que no meu cérebro há
uma grande tela e
o que acontece é
filtrado por ela, ah!
Não me contenho em
dizer de novo e
mais uma vez que há
uma linda rede que
foi produzida pra
deixar passar e só 
o que há de novo e
tudo de novo está
velho outra vez!
Mas como disse eu
tenho no peito um
pedaco branco e frio que
atiro em cheio na
sua cabeca já!

Acompanhado de uma língua ardente
e uma flor em semente.



 Leticia Frederico

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Havia uma montanha verde e nova
e todos estavam felizes.
Atrás da vegetação
havia uma cratera
e fumaça
e ninguém reparou nela.
e mergulhavam na água quente
quase fervendo, sorrindo
não dando conta do perigo.
Eu disse
cuidado
eu disse.
E lá começou a lava a lavar
e eu só ouvia a multidão gritar
e o pânico se espalhar
Fui procurar minha bolsa,
onde está?
não, não desorganize as bolsas
não
é uma pequena e marrom, ah aqui está!
e sai pela porta
e tudo estava apagado
e só havia uma velha escada
e duas rosas sobre a mesa em um vaso
só elas tinham a cor rosa
naquele preto e branco cinza escuro
e quis levar
pelo menos uma delas
pra lembrar de ti
mas não,
não peguei
e fui descendo
e percebi que já não estava viva
chorei
e me diseram:
não,
não deixe suas lágrimas destruí-los.


Leticia Frederico

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Anda tão desmemoriado
esqueceu que é preciso
pensar por quem não quer
esqueceu que lhe disseram
que isto era o que não é.
Aproveitando
onde foi que eu deixei
minha mania de achar
que já falei enquanto
você não ouvia?
Lembro-te que de tudo já sabia
então não toque no meu ombro
prezada senhorinha.
Mas ela toca, com certeza,
os papéis ainda estão em cima de sua mesa
mas o cheiro da poeira
entupiu mais do que minha narina esquerda.
Estamos rumo ao esquecimento
todo dia.
Vejo liberto
seu livro aberto
sua melancolia
acesa, velo
trêmula, corto
Já disse qual é a música mais correta?
Ah, sabia.
é a que diz que de nada valeria
tudo aquilo que eu sabia.
E é claro que o amor isso é,
desde o primeiro dia.


Leticia Frederico
 
Sem ideia
não há ideia mais vaga
que esta sem ideia
andei fuçando uma ideia nova
mas ela estava já tão ultrapassada
e novamente fiquei sem ideia
eu não faço ideia
do que você fala
eu não quero ideia.
Saio de uma cena
mal falada
e caio num poema
sem problema.
 
 
Leticia Frederico
 

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Ouçam a grande novidade dos novos tempos:
Estou sem paciência
por ter de adivinhar
os pensamentos de quem não pensa.
 
Eu tenho aqui ao meu redor
uma montanha de precioso lixo
e jogaria tudo na sua cabeça
mas não,
não será isso que tirará seu ar.
 
Enquanto procura o que acha que quer
eu escrevo pra ti um poema
e guardo em minha gaveta.
 
Por quanto tempo ficarão sem pensar
no vazio da sala
e o lixo brotando que nem água podre
no valão?
 
Precisamos vender mais uns papéis
que seguram suas vidas nas mãos.
Já viu um papel com mão?
Há tempos que não vejo um.
Agora ele segura
com rédeas quem não os pode ver.
 
Precisamos vender...
mais papéis que seguram seus bens
nas pontas dos pés.
Já viu um papel de sapato?
Há tempos não vejo um
de cadarços desamarrados
se esborrachar no chão.
 
Estou rodeada por um grande rio
de dejetos
e eles não tocam minha lembrança...
Eu não adivinho o que vocês não pensam
queridos
Não não...
 
 
Leticia Frederico

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Os olhos parados
frente ao seu mundo real,
o mundo do qual não sente saudades.
Nenhuma
Os olhos param e voltam pro fundo
do mar onde você morou
e pareceu sair num segundo.
Eu moro no alto de uma ladeira
e o chão é de paralelepípedo
e quando chove, às vezes vira cachoeira
mas eu estou no meu mundo irreal
e você ainda não descobriu o quanto ele é de mentira
Ainda não...
é necessário que viva no seu mundo de verdade
ainda.
Ainda sim...
Em pouco tempo ele explodirá.
E vamos sair pra cantar
vamos catar as sobras de verdade
escrevendo sobre a nossa vida antiga.
Você me ensinará mais sobre a mentira.
E vamos rir da cara dela enquanto
fritamos umas paquecas e separamos umas moedas
pra comprar aquela fantasia que você me pediu um dia.
 
 
Leticia Frederico
 

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Agora

Se você pede, com a voz mais doce
que eu lhe busque hoje.
É hoje que lhe buscarei
é agora, é daqui a dez minutos.
Porque quem sai de dentro da gente
é quem manda no mundo.
Até que o mundo torne-se irreal para seus olhos distraídos
como hoje ele é para mim,
eu lhe buscarei.
de carro
a pé
ou morrendo
principalmente hoje
enquanto gotas caem do céu.
 
Leticia Frederico
 
 
Deus, aquele que não existe,
olha todos os dias para nossa cara
através do espelho e diz:
Meu filho, pare de olhar apenas para o seu próprio rabo!
O que Ele quer é:
que você dê um murro no vidro
arrebente os dedos
e arranque-o lá de dentro do aço.
Depois, saia para fazer,
seja lá o que for que tenha para fazer,
deixando que ele escorra entre os dedos
e manche de vermelho
toda e qualquer merda
que você venha a tocar
durante seu belo e insuportável dia...
É isso o que Ele quer, meu amigo.


Leticia Frederico
 

sábado, 23 de novembro de 2013

De coração, partido.

- Aí, na moral
Eu sou liberal!
Só não gosto muito de bicha
de comunista
Nem de pobre metido a intelectual
Mas cara, eu sou liberal!
Eu quero um novo partido
Agradar meu velho amigo
Defendendo seu ideal
Um ideal liberal.  
Mas não curto muito quem se manifesta ou critica minhas ideias
Sábado eu tenho uma festa
Preciso de um figurino legal
Assisto várias palestras
Quero do meu país
Mais um estado unido na América
Eu gosto do capital
Só acho que não deveria
Existir esquerdista
No mundo capitalista
Juro que sou liberal
E acho bem lá no fundo
do meu pensamento profundo
que Adolf Hitler não foi um cara do mal.
Tenho algum desvio mental?
-Quanto discurso letal.
-É culpa do vil metal.
-Não, acho que é cerebral.
-Mas ele é liberal
-Se acha tão genial
-Oh, que poema banal.


É o que ele diz ao final.


                                                                                      Leticia Frederico


É de doer a cabeça
escrever sem que aconteça
lembrar antes que esqueça
é de mandar na tristeza
te contar antes da noite
e de beijar, ainda que não mereça.

De cantar 
e de gargalhar
é de doer as orelhas
esse meu canto florido
é de mudar o sentido
de tudo que tenho dito

É de falar uma coisa
e de garganta doendo
repetir tantas outras
é de dizer nus versos
é de torná-los eternos
e de garantia estendida
por ti poder ser ouvida.

Ah, é de fazer a comida.


Leticia Frederico







Dedos pulsantes

És demônio praguejando 
verdades da alma humana.
Ou serias humano espalhando 
verdadeira praga demoníaca?
Ou então, na verdade, 
espalhado pelo demônio, 
uma nova chaga mundana?
Entendo eu
que és humano
praguejando,
não apenas verdades,
mas tuas pestes e demônios
em versos
guiados 
por divina
eficácia lírica.


Leticia Frederico


sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Não leve a mal.
Oh, meu amor periférico...
- disse de ré - 
...não pude tocar as notas altas
deste teu disco genérico
Me sopro na flauta doce da vida
mergulhada
em uma xícara
de café. 
 
Sol,
no invisível
habita seu mundo sidérico.
lá,
bem longe
onde não toca a faltosa fé
estica que
dói dói dói
com dó
me fita,
enquato preparo meu grito histérico
e laço meu pangaré.
 
Mia, mia
fala.
Faca no couro
enfio.
Chacoalhada,
água fervendo
e o tamborim nascendo de si
na noite pelada.
 
É preciso tocar o carnaval...
a mal não me leve.
 
 
Leticia Frederico

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Construindo ruínas 
em um solo fértil
revirando a terra
a mão martela
segura
soca dentro da parede
pendura um útil, 
detestável enfeite,
o transforma em curva
mas ele nem sente.

O cimento 
ruminando,
infiltrado
enferruja 
seu brilho nascente,
e segue esfarelando
as colunas de pé
com seu mofo verde aparente,
que colore o fosco 
da tinta...

Até que de orelhas, 
o martelo pesado,
lhe arranca inesperadamente.




Leticia Frederico

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

E por falar em saudade...

Eu vejo animais racionais
saudosos de uma ditadura
coloco-os no pau-de-arara
e pergunto se aguentam
por mais um minuto a tortura.
No afogamento
enfio suas cabeças na água
interrogo se aguentam
só mais um segundo de sofrimento.
 
Às vezes sonho que me afogo
outras que estou livre no mar
os dois sonhos me dão medo
mas prefiro as ondas gigantes 
ao desespero de morrer sem ar. 
 
Observo seres pensantes
saudosos dos tempos do ouro, cana-de-açúcar e senzala
jogo-os em um navio
pergunto se aguentam o cheiro que dele exala
No tronco, com as mãos amarradas
questiono se suportariam mais umas chicotadas.
Peço que me mostrem os dentes
tiro-lhes o convívio de seus parentes
e olho de cima pra ter certeza
de que continuariam sorridentes.
 
Algumas noites
sonho que estou sendo chicoteada
e outras, que com as próprias mãos,
arrebento a corrente de um escravo.
Os dois sonhos me causam dor
mas prefiro as mãos dilaceradas,
que do chicote sentir o estalo e o calor.
 
Tenho visto inteligências raras
satisfeitas com o sistema vigente
e em volta de seu pescoço
além de cartões de crédito
precisando cada vez mais de correntes
roendo das notas 
até o osso
pousando e lendo revistas Caras.
 
Mando-os pra favela
pra rua
ou pra penitenciária
acendo-lhes umas pedras quentes
e assisto suas cabeças dementes
fazendo crack
enquanto trincam os dentes
Pergunto afinal se aguentam
um outro trago das tais
E eles berram:
Me tirem do inferno
preciso de mais
preciso demais...
 
Com isso ainda não sonho
mas aqui continuo escrevendo
sobre esse mundo
tão enfadonho.
 
 
Leticia Frederico
 

sábado, 16 de novembro de 2013

A educação é muito importante

Quem quiser escrever 
arrume um papel
e esqueça do que já leu
É sempre a mesma coisa
todo dia, a vida toda,
sempre a mesma coisa.
Não existe a maravilha
Todo tempo a mesma coisa
faça-se entender
pelo bem, pelo mal
pela falta, pelo início ou pelo final.
Estão se lixando para essa coisa
essa coisa não vai mofar
ela vai desintegrar
vai se apagar.
Não vai nem queimar.
Quem quiser aprender
vá viver
vá ler 
vá conhecer
Mas vá sem pressa
que saber demais
é de endoidecer.
Se você quer ensinar,
tenha paciência, 
pois sem ela 
toda ciência só terá sentido
se for pra você.
Mas quem quiser se divertir
enquanto passa um tempo vivendo,
não se importe comigo
não leia o que aqui está escrito.
E com todo respeito
Vá se foder.


Leticia Frederico
Escritos sobre o papel eles ainda dançam
Dançam ao som de uma orquestra africana
Lhes seria cruel uma contra-dança
na contra-capa de um vinil
pendurado na parede
do quarto abafado.
Dançam com pés no chão sob um céu escuro.
Depois o sol cozinhou seus corpos 
enquanto dormiam até tarde
enquanto esqueciam da noite
o dia passava.
A pele desmanchava
entornando tinta
no lençol lavado.
Do que eles falavam...
eram mudos
mudos em seu tempo
Mas sobre o papel
cantavam
transformaram-se em versos
mas os versos são tão surdos
que não se ouve a orquestra ao fundo
não se ouve os pés batendo no chão
não se ouve o som abafado do quarto
nem do vinil pendurado
não se ouve o tocar das mãos
Viraram textos
virando a noite
mas os textos são cegos
e não os enxergam
Estão perdidos
cada qual em seu mundo
como é comum
a todo ser moribundo.


Leticia Frederico

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Todo dia logar sozinho
o que há entre mim e a tecla 
é só um espaço vazio.
O sol fora da janela, esconde o calor do frio.
Sobretudo dialogar sozinho
o que existe entre mim e a tela 
é só um olhar vadio.
O mar está longe dela
confuso, espera encontrar o rio.

Enquanto há rima vou escrever
Só, a frase
solta, espera
a cola pra colar o verso
e a ideia se desenvolver.
Todo dialogar sozinho
Sobre tudo dialogar sozinha
preenche o espaço vazio.
Assim você pode entender?


Leticia Frederico

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Sim, amarela!
 
Quero na bolsa amarela
 
uma flor amarela
 
minha unha amarela
 
uma pétala.
 
Quero amarela
 
uma grande corrente,
 
amarela brilhante
 
e um diamante
 
dar de presente.
 
Quero amarela
 
na janela,
 
na ladeira,
 
na beira,
 
na grade da cela.
 
Com cor amarela,
 
no preto amarela,
 
transparente amarela
 
o branco sorridente.
 
Por isso dou-lhe uma flor violeta
 
e escrevo à caneta
 
violentamente.
 

Leticia Frederico


 


 

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Tentar é importante
chega até perto
mas continua distante.
Uso as mesmas sempre
mas todas ficam diferentes.
Acho que é por causa
da imaginação ausente
No fundo o bumbo
pra dar sentido ao mundo
marca o segundo
que me foi dado como presente.
Quanta gente crente
com tanto sonho imundo
não muda em nada 
 seu abismo profundo
Ai vem a verdade a voar
vem rápida ou devagar
e o que você diz desmente.
é só o bumbo no coração
é só o coração na mão
é isso que impede,
quem nada pede,
de parar.
 
 
Leticia Frederico
Derreteram ontem
e hoje olharam a espuma fria
não quero só derreter
quero condensar
e depois chover
desabotoar.
Eu bem que gostaria 
de não te rimar
mas é sem querer
faço sem pensar
é como comer
carne mastigar
hoje escrever
amanhã gritar
acordar e ler
e virar o dia
dentro da cabeça
procurar à noite alguém que assim mereça
essa rua fria
essa morte frouxa
esse seu pedido
essa vida toda
esse monte de riso
essa facada lisa
do alto da escada
a sorte de mentira
o morto na calçada
e o meu amor sumindo
se desinibindo
a blusa despindo
dentro da poesia
perto da palavra.
 
 
Leticia Frederico
 

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Pingando

É por isso que não gosto do verão
ele nem chega
e já altera meus neurônios
é por isso que pergunto quem é ela
quem é?
é o meu cérebro derretendo
Por favor um balde de gelo...
meu cérebro derretendo
por favor uma poça no meio do caminho...
derretendo.
O céu derrete aos meu pés
eu vou rodar, rodar, rodar
e cair nos braços de quem?
quem me abre os braços
me abre os abraços também?
minha pele derretendo
por favor alguém com sede
me bebe
derretendo
disseram-me das palavras
como socos
diretas
e a profundidade
passeando na superfície
e para que eu escrevesse
impávida,
persistente na solidão
E o que eu faço com o verão?
meus socos derretendo
por favor algum masoquista
busca socos diretos?
derretendo
na face quente
molha
me molha
joga no asfalto ardente
o asfalto derretendo
a miragem da água lá na frente
me molha
molha
me olha
olha?
 
 
Leticia Frederico
 
 
 
Sim, ele veio me visitar
essa madrugada por cima do ombro
e parecia me abraçar
então a alegria misturou-se ao medo
e pensei que poderia ser um anjo
e o quis beijar
e deita-lo na cama
acariciar
para fazê-lo dormir,
pensei em cantar
mas ele emitiu um ruído
muito estranho
que me fez desvencilhar
e então procurei suas pernas
e chutei-as pra te despertar
como viu era um pesadelo
em que estamos errantes,
que ficamos presos tentando abrir os olhos
e mesmo cientes de que os olhos da alma não se fecham
nos forçamos a acordar.
 
Leticia Frederico

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Segunda


Prezo pela qualidade

Zelo pela autoridade

Preso dentro do castelo

espero pela humanidade

Velo essa monotonia

Apelo para a simpatia

Pelo sol do meio dia cego

modelo o pão de cada dia.

Levo os dias construindo

Singelo num discurso lindo.

Sê-lo é tudo que mais quero,

Mas paralelo à mim ele vive fugindo.
 
 
 
Leticia Frederico

Virada

Viro o que precisar
 
Viro pó, viro ar
 
pra você aspirar.
 
Viro verso
 
Viro rima
 
Fico prosa
 
Viro a retina
 
Viro trova
 
Viro a história
 
Anfetamina
 
Viro linha
 
entre as palmas
 
espero cair a tardinha
 
Viro menina
 
No meio da noite
 
Giro meu corpo
 
Viro heroína
 
Me sopra no vento
 
Não tenho mais tempo
 
Fecho a cortina. 
 
 
Leticia Frederico

domingo, 10 de novembro de 2013

Que bom que não presta, 
não vale um centavo,
e sua vida não empresta.
Ainda bem que não vale,
não serve pra nada
e me conta a vantagem.
Agradeço mas não me interessa,
minha atenção não desperta,
só fala bobagem.
Vou comprar um gravador
pra desperdiçar mentiras
no espaço sonoro.
Quem liga pra essa espécie de vida,
que não se desliga?
escrevo,
mas eu também leio
e, incrível,
eu choro.
Nossa, que coisa mais bela...
pelo seu desaparecimento
por Deus, 
eu imploro.
Mentira 
é só brincadeira
se não acredita 
a sua poesia
eu decoro.
Prometo
juro que prometo
é a verdade 
mais verdadeira
no mundo onde eu moro.


Leticia Frederico





Fiz uma poesia 
se você a quiser
recite
Como eu me sinto?
Triste
alguma coisa resiste?
Você fala também de Deus...
e Ele, de fato existe?
Queria que você sentisse o gosto 
dos doces de nozes que enrolei,
os de castanha, também talvez,
mas isso é impossível, eu sei.
ainda "espero pelas suas palavras 
em meio ao caos desse infinito silencio..."
ainda "...espero enquanto ouço quebradas 
as horas do dia batendo..."
isso também não tem importância
mas a palavra ainda existe
e eu continuo triste
querendo te ver feliz.


Leticia Frederico