quarta-feira, 16 de julho de 2014

Não meus amigos,
eu não vou falar sobre cocaína.
a droga q escrevo
destrói meu povo
de um jeito que ele nem imagina.
Aperta, bem lá no fundo do peito
e a dor logo nos incrimina.
Estampada no sorriso mais caro daquela menina muito bem vestida.
Não adianta tentar calar sua voz, porque dentro de nós
ela vem como pedra de gelo, endurece o resto de força que resta e te mata de medo...
Eu vejo de longe
aquele menor correndo
e não enxergo pra onde
Onde é que verdade te esconde?
Dizem que os meninos da rua suja não tem esperança
Quem vai pensar numa herança?
Quem liga para aquela criança?
Sabem de tudo,
não contam com nada
e o pé tá ralado
limpando o chão da cidade rasgada em mil pedaços
caindo no esgoto
vejo seu rosto
lembro do vício desgraçado
ah, desde o início
eu sabia que o mundo
não obedece princípios
só valores
ouvia de longe
o som dos comícios
e ninguém,
ninguém viu meus amores escorrendo daquela gente suada que foi chicoteada
bateu o tambor
e seguiu pela estrada
você,
trate de ir se defendendo
que ninguém está te compreendendo
veja aquele filme
o final feliz do bom moço
os livros continuam fedendo a mofo
a intoxicação
feita sem muito esforço
sinta as paredes cedendo
estão cedendo por dentro
e o dinheiro acabando
meu corpo vai se encostando naquela estante
vou encontrar meu remédio faltante
desligo a tela colorida
pra sobreviver nesse mundo
me reabilito o quanto antes.
Não, eu não vou falar da heroína
eu vou falar da substância pesada que corre dentro da sua inconsciência tapada
sim, acho que ela não foi descoberta pela biológica ciência inexata.
Te faz errar e acertar.
Acerta um tiro na cara de um semelhante qualquer,
erra uma bomba em cima de uma família que nem mesmo sabe o que quer,
deixa vender uma ilha pelo valor mais alto que puder .
Eles ali?
Eles vao comprar um peixe
e matar um porco no natal,
fazer uma salada pros vegetarianos não se sentirem muito mal,
mas o que importa é o presente.
Na rua ferve uma panela de sopa bem quente
e quem não tem família,
por favor, entre na fila com a gente.
O mundo tem jeito
mas esse vício
me mata todo dia com seu conceito
Agora eu escrevo
depois eu canto
você que me ouve
parado ou dançando,
o que nos aproxima
não é nenhum imã ,
nenhuma rima.
É que a sinceridade,
a sua, a minha e a da tal menina,
ainda que dependente
desse mal que destrói nossa mente, merece respeito
quando predomina.

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