segunda-feira, 9 de dezembro de 2013


Quem tem voz
Para abrir a porta
Em silêncio
Sabe sim
Sabe do tempo
Sabe da morte
Deixa que a leve no vento
Inventa
E tudo que posso falar
Canta
E me deixo ouvir
Ouvir o silêncio abrir a porta
Ouço  que o mundo é velho
E não há nada de novo
E há tudo que havia
A velha
A vida
O mendigo na calçada
Cai frente aos meus olhos
E inventa uma nova melodia
E com sua letra apagada
Coloca a farofa a flor o maço e a garrafa
Na encruzilhada
E desce a ladeira
E deixa a mandinga
Com seu passo arrastado
O vento varrendo
A esquina
E a morte vindo de dentro
Pra cima 
Se esconde nos braços daquela 
branca menina.
E as palavras saem correndo atrás deles
E puxam seus cabelos
E os tambores batendo dentro deles
Arrancam seu coração 
E seus punhos doloridos 
E os dedos enfaixados sangram
Sujam o terreiro vazio da vida
Vidas que rimam com rua
Desordem
Saudade 
Conversa
Sem sorte
Sarjeta
Adeus 
Essa vida que rima 
com vadia 
Rima com cicatriz e corte.

Leticia

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