A cara do dia
é da noite mal dormida.
É a cara de quem
vai dividir, por partes,
em três o dia
e ficar sem nenhuma despedida.
É a cara da flor despedaçada
com jeito de andar longe da calçada
esperar pelo ônibus passando por cima
abrir a boca pra poça enlameada
sujando os olhos de janela envelhecida.
É a cara daquele sorriso
sem fome nem graça
de dentes enjoados de tanta preguiça
e o sol desbotando a pele amarelada
cara de quem queria sair na rua pelada
e pular da ponte no mar pra sentir a brisa.
Leticia Frederico
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