Meu filho ainda não aprendeu a amarrar o cadarço
Eu não lembro se sabia
Eu não lembro se sabia
amarrar cadarços sozinha na idade dele.
Penso se, se soubesse, isso teria importância
Penso se, se soubesse, isso teria importância
hoje que não tenho tempo
de ensina-lo a amarrar seu cadarço.
Meu filho ainda não sabe que amarelo é yellow.
Isso, deveras, na idade dele eu também não sabia.
E penso hoje se, se soubesse, alguma coisa mudaria
Meu filho ainda não sabe que amarelo é yellow.
Isso, deveras, na idade dele eu também não sabia.
E penso hoje se, se soubesse, alguma coisa mudaria
agora que não tenho tempo de pergunta-lo se yellow
é a cor do sol de dia.
Ele não sabe escrever sozinho meu nome ainda
Tento lembrar se na idade dele
Ele não sabe escrever sozinho meu nome ainda
Tento lembrar se na idade dele
o nome de minha mãe eu sabia
e vejo que não me lembro.
E penso em morar no campo,
aprender a tirar da vaca um leite forte,
aprender a contar mais com a sorte
de uma colheita,
aprender a dizer que não quero morar mais
e vejo que não me lembro.
E penso em morar no campo,
aprender a tirar da vaca um leite forte,
aprender a contar mais com a sorte
de uma colheita,
aprender a dizer que não quero morar mais
na cidade onde o pavão se enfeita.
Aprender a desamarrar o cadarço
e dormir na grama.
Esquecer à bordo meus pertences,
Aprender a desamarrar o cadarço
e dormir na grama.
Esquecer à bordo meus pertences,
que a mim nunca pertenceram
e pintar num pano junto ao meu pequeno menino,
filho do mundo sem ninho,
uma lagoa com patos de bico amarelo e
pena branca.
Mas um bêbado esbarra em minhas mãos
e pintar num pano junto ao meu pequeno menino,
filho do mundo sem ninho,
uma lagoa com patos de bico amarelo e
pena branca.
Mas um bêbado esbarra em minhas mãos
e as teclas somem neste novo papel
que não é feito de planta.
Leticia Frederico
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