quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Todas as noites

Não tenho tempo para minha memória
Não tenho dinheiro
E então me aproximo do agora
Estou no meio dos estilhaços,
alguns acham que eles têm movimentos involuntários.
Há cerca de um ano chicoteavam meus ombros.
Sim, eu mesma chicoteava.
Sobrevivemos à nós mesmos?
À nossa importância?
À busca eterna dela?
À necessidade de crença?
Sobrevivemos à descoberta.
São movimentos involuntários
Mas não os dos estilhaços.
Então as vezes não sobrevivo a mim mesma.
Preciso do outro.
Onde está o outro?
Sobrevivendo a si mesmo?
Não.
O outro não sabe.
Como eu, ele pensa.
Pensa que sobrevive.
Mas todas as noites morremos.







Leticia Frederico

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