segunda-feira, 28 de outubro de 2013


Que coisa.

Que não pousa nem tão pouco voa

Vêm uns ciscos que entram nos meus olhos

Mas quando de novo olho, já sumiram à toa.

 

Que coisa, não?

Que se refaz e se remenda outra hora

Daqui a pouco a linha fica frouxa

E quando vejo, caiu um botão.

 

Não é mesmo muito muito estranho?

É só dar um ponto que arrebenta o outro

Fura o dedo, perde-se a agulha

Acha o pano solto lá naquele canto.

 

Quero dar-te de presente uma saco cheio de retalhos

Alinhavados com ponto apertado

Ou uma bela colcha de fuxico

Que vi na loja e não levei comigo.

 

Também havia muita renda boa

Mas os meus dedos não sabem rendar

Então escrevo tortas linhas bobas

Pra ver o seu sorriso enfim voltar.
 
 
 
 
 
Leticia Frederico

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