Lenta ou rápida
a dor cessa.
Com ou sem súplica
definha
não tarda mesmo que tardia
nela nada
de peito
estoura o tímpano
desce
desliza no azulejo frio
Viva ou morta
a dor desperta
espeta a nuca
tormenta a cada gole
esfarela
sobe a janela
some
chora o tiro seco
revolve.
A massa cinzenta
espalha
escorre.
Na literatura ou intra tortura
a dor morre.
Canta aos cantos
da sala de demônio e santo
da estante de poeira,
mofa pra virar beleza
estupida corrosiva
resvala ao centro da esfera
vira letra, ponto, entre as linhas
espera
vira encanto
a dor Degenera.
Leticia Frederico
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