sábado, 26 de outubro de 2013

A CELA



No tempo da inocência.
Acreditaram no amor.
Fizeram do amor seu sonho de criança.
Aprenderam a ler e a escrever.
Mas cresceram e tornaram-se homens e mulheres
transformaram o amor em seus sonhos de esperança.
Viram e ouviram a morte.
Colocaram uma bonita fantasia
E descobriram que gostavam de ouvir samba
Antes de perceber que o carnaval não os agradava.

Então foram para a rua
E jogaram confetes e sentiram o cheiro do perfume
E queriam viver em festa
Mas viram que havia o ciúme
Então voltaram para casa.

Queriam escrever livros.
E dizer ao mundo tudo que pensavam sobre a vida
Mas não era isso que faziam
Pois não tinham tempo nem dinheiro
Gostavam da beleza, mas o feio invadia-os
Saboreavam-no, esqueciam da vida.

Longe da inocência
Desacreditavam do amor
Fazendo contas ou não
Inventavam outro meio
Falavam-se por carta.

De homens e mulheres,
viraram  a cela de quatro paredes
ora questionam
ora deixam de questionar a única questão filosófica verdadeira
Pois quando se entendem
Percebem que toda cela tem uma porta
Mesmo que seja estreita.

Mas ainda assim há o ciúme
E continuam voltando pra casa,

escrevendo sua festa,
inventando seu fevereiro.


Leticia Frederico

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