No tempo da inocência.
Acreditaram no amor.
Fizeram do amor seu sonho de criança.
Aprenderam a ler e a escrever.
Mas cresceram e tornaram-se homens e mulheres
transformaram o amor em seus sonhos de esperança.
Viram e ouviram a morte.
Colocaram uma bonita fantasia
E descobriram que gostavam de ouvir samba
Antes de perceber que o carnaval não os agradava.
Então foram para a rua
E jogaram confetes e sentiram o cheiro do perfume
E queriam viver em festa
Mas viram que havia o ciúme
Então voltaram para casa.
Queriam escrever livros.
E dizer ao mundo tudo que pensavam sobre a vida
Mas não era isso que faziam
Pois não tinham tempo nem dinheiro
Gostavam da beleza, mas o feio invadia-os
Saboreavam-no, esqueciam da vida.
Longe da inocência
Desacreditavam do amor
Fazendo contas ou não
Inventavam outro meio
Falavam-se por carta.
De homens e mulheres,
viraram a cela de
quatro paredes
ora questionam
ora deixam de questionar a única questão filosófica
verdadeira
Pois quando se entendem
Percebem que toda cela tem uma porta
Mesmo que seja estreita.
Mas ainda assim há o ciúme
E continuam voltando pra casa,
escrevendo sua festa,
inventando seu fevereiro.
Leticia Frederico
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