Primeiro dia do ano,
quanta coisa boa
tanta felicidade
nossos pés andando
tanta direção
vamos arrumar a sala
a cozinha o banheiro
não nos esqueçamos,
é claro, do porão.
Essa casa não tem porão
que não seja eu mesmo,
então não esqueça de varrer o telhado
pois na última ventania
caíram uns galhos
umas folhas frias
sem sangue
nem espaço pra cair no chão.
E os poetas perguntam-se:
o que sou?
e os poetas escrevem
o que sois.
Como eles mentem em verdade...
como não se arrependem depois!
E as enchentes continuam derrubando casas
e aquela criança descansa
deitada em cima do lixo
sobre a calçada
enquanto fazem,
com champagne, um esguicho
de cima da sacada.
Preciso de um táxi, um metrô, um ônibus
toda gente precisa da sua casa
entram na fila,
esperam o ônibus,
rezam por sua breve chegada
Todos estão cansados.
Não é o calor
não é o asfalto sujo
nem o dedo machucado.
É a areia...
é o pedido mal elaborado que fizeram
à sereia.
A culpa é sempre do diabo.
Estão cansados
com sacos de roupas molhadas
com restos de comidas já passadas.
Não chegará o táxi
Não caberá no metrô
espere então o ônibus, mas no ponto final,
pra não ir daqui até lá esmagada.
aqui está sua bela cidade despreparada.
Na rua há sempre uma festa
e ela não acaba.
A cama de lixo amanhã será triturada
e uma criança num outro ônibus dá
um sorriso ao poeta
e o sorriso o mostra a alegria
de não se importar com nada
e o poeta só pode dar ao mundo
sua poesia.
É o que o resta.
Depois dos fogos de artifício,
depois do estouro ferindo os ouvidos,
do ano inteiro
o que sobra é a virada numa bela fotografia.
Leticia Frederico
quanta coisa boa
tanta felicidade
nossos pés andando
tanta direção
vamos arrumar a sala
a cozinha o banheiro
não nos esqueçamos,
é claro, do porão.
Essa casa não tem porão
que não seja eu mesmo,
então não esqueça de varrer o telhado
pois na última ventania
caíram uns galhos
umas folhas frias
sem sangue
nem espaço pra cair no chão.
E os poetas perguntam-se:
o que sou?
e os poetas escrevem
o que sois.
Como eles mentem em verdade...
como não se arrependem depois!
E as enchentes continuam derrubando casas
e aquela criança descansa
deitada em cima do lixo
sobre a calçada
enquanto fazem,
com champagne, um esguicho
de cima da sacada.
Preciso de um táxi, um metrô, um ônibus
toda gente precisa da sua casa
entram na fila,
esperam o ônibus,
rezam por sua breve chegada
Todos estão cansados.
Não é o calor
não é o asfalto sujo
nem o dedo machucado.
É a areia...
é o pedido mal elaborado que fizeram
à sereia.
A culpa é sempre do diabo.
Estão cansados
com sacos de roupas molhadas
com restos de comidas já passadas.
Não chegará o táxi
Não caberá no metrô
espere então o ônibus, mas no ponto final,
pra não ir daqui até lá esmagada.
aqui está sua bela cidade despreparada.
Na rua há sempre uma festa
e ela não acaba.
A cama de lixo amanhã será triturada
e uma criança num outro ônibus dá
um sorriso ao poeta
e o sorriso o mostra a alegria
de não se importar com nada
e o poeta só pode dar ao mundo
sua poesia.
É o que o resta.
Depois dos fogos de artifício,
depois do estouro ferindo os ouvidos,
do ano inteiro
o que sobra é a virada numa bela fotografia.
Leticia Frederico
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