Eu mereço qualquer coisa
por isso abri os braços
e todas as coisas que tinham olhos
colocaram seus olhos na minha alma
e meus dias foram repletos de espera
e coisas cegas colaram-se em minhas paredes,
tornaram-se belas
e pude toca-las com meus dedos
mancharam meus pensamentos
e apagaram-se com a noite
Mas as manhãs foram iluminando-as
e as coisas saíram para passear
e nunca mais voltaram
Então abri os ouvidos
para os olhos que repousavam na alma
eles piscavam para mim
de modo brusco e ao mesmo tempo lento
e diziam o que havia lá dentro
explicaram como todas as lágrimas escorriam e limpavam
de modo que tentar segurá-las seria um erro com o tempo
As coisas com olhos pareciam
ter deixado só os olhos para trás
quando foram descobrir suas recompensas
seus olhos ficaram nadando dentro dos fluidos da alma
e por isso é que hoje os olhos se desviam
quando as coisas se aproximam.
Há um tempo em que as coisas
carregam a alma nos olhos,
a este tempo damos o nome de paixão
passado este tempo as coisas colam seus olhos na outra alma
e é impossível retirá-los de lá
e então eles já não as pertence,
não aqueles.
Aqueles olhos podem ser chamados de amor
os olhos colocados na alma
os que estavam-na carregando e oferecendo-a na paixão,
ali eles ficarão.
E a alma possui tantos olhos quanto forem as coisas
que tenham olhos para carregar alma
e então outros tantos nascem e os colo nestas
e os deixo lá
e lá eles explicam tudo mais que deva ser explicado.
Por isso mereço qualquer coisa
e há uma coisa que jamais colará seus olhos em minha alma
há só uma coisa
uma coisa à qual oferecerei minha alma nos olhos todos os dias
e esta coisa não tem olhos, nem boca, nem dedos
esta coisa está escrita
na pele de alguém que tem os meus e outros olhos colados na alma
escrita por alguém que ofereceu sua alma nos olhos
e foi lida por meus olhos oferecidos
e eu mereço qualquer coisa
e escrevo uma coisa qualquer
para qualquer coisa que olhar vier
Leticia Frederico
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