segunda-feira, 3 de março de 2014

Findo
ele deixou nas calçadas
as mesmas e outras marcas 
de tantos calçados
de pés suados 
que empurram o concreto nosso
de cada dia.


A cidade entregou-lhe a chave 
pra tentar sorrir 
e ainda ouve-se o choro
mesmo antes de olhar as cinzas 
estas que escorrem, não com a chuva
mas entre os pelos
dos que tentam mais uma vez amolecer 
os prédios sombrios cimentados

 
De longe ouve-se o pulso reclamar
e caladas vozes a gritar
vejo depressões em morros que um dia 
tentaram salvar o povo da tristeza 


Lá havia chuva derrubando cada telhado com alegria
via fantasia
e a via vazia se enchia 
de pulos e punhos castigando peles
pregadas a madeira
lixada por dedos desordeiros


Nas costas chicoteadas
o som do lamento sambou descalço
aquecendo as pedras que carregamos nelas para a passagem 

dos saltos nobres revestidos de couro ou pano
saias compridas quaradas ao sol de domingo 


Agora joga o asfalto por cima
que lhe pago com litro de leite
farinha feijão
e os carros desfilam purpurina
te cubro de pena colorida
não tenho pena do ronco da sua barriga
varre a rua até a esquina 
limpa a urina com a mão.


Não liga pro que disse seu professor
pois a vida é feita mesmo de dor
e o carnaval não agoniza 
mas o desfile já acabou.

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