A mulher magra com uma barriga
feita toda de lombriga e órgãos se desconstruindo
toma o resto de sorvete que encontra na lixeira laranja
enquanto falamos da falta de senso de comunidade
dos partilhadores de dia a dia da cidade.
Que senso sem sentido discutimos
enquanto só queremos destruir a fome...
Sentido algum sobrevoa a rua cheia de migalhas
ruminadas pelos camelos desérticos que somos,
moídos num triturador de mentes
que desola o minúsculo grão de esperança
plantado um dia pelas mesmas bocas
cheias de fome e desilusão
em nossas sorridentes cabeças de criança.
As lombrigas continuarão fazendo a festa dentro dela
e dentro ou fora dela desaparecendo...
Será que queríamos mesmo pegar todos aqueles filhos de gente
e dar o amor que temos supostamente?
Continuamos a destruir a fome por nós
e o outro é só um outro
fazendo a festa pelo que atormenta
seu estômago involuntariamente.
Leticia Frederico
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