terça-feira, 6 de maio de 2014

eu
falo por mim
sobre os desejos dos outros
o poeta retira o grampo do papel
o ferrugem mancha suas incertezas
e não há desespero
porque?
todos tem outros sonhos
eu
digo por mim
sobre as vontades dos outros
o desenhista cola o durex no papel
a.cola gruda suas cores e sua beleza
e não há solidão
porque?
todos tem muitas fomes.
eu
escrevo por mim
sobre as falhas dos outros
o cantor corta a beirada do papel
a tesoura rasga suas sombras vocais de tristeza
e não há vazio
porque?
todos tem muitos nomes
eu
murmuro por mim
sobre os medos dos outros
o dançarino tira a bailarina do papel
as pernas fecham seus olhos
frente à correnteza
e não ha falta
porque?
até na água o ar se esconde
falo
sobre a necessidade de estar só
falo por mim
e sempre encontro os outros
porque?
há muitos quando ando por onde

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